Antidepressivo ou anticriativo

O famoso bloqueio criativo não é me estranho. Já passei por muitos momentos de páginas em branca me encarando. Mas tenho a impressão que encontrei um novo formato desse pesadelo e criadores nos últimos meses que não posso deixar de conectar com meu estado mental e medicação: será que o antidepressivo está me deixando menos criativa?

Em 2022, senti muito, pensei, imaginei, conjecturei, criei na infinita tela e folha em branca que tenho na mente as mais variadas, coloridas, sombrias, magníficas e medíocres histórias. Mas não tinha força, motivação, vontade de parir nenhuma delas para o papel ou a tela.

Hoje tenho ânimo para escrever, rabiscar, pintar, digitar e mais. Mas me sinto tão distante das emoções que me fazem criar. Se antes elas borbulhavam na superfície até me afogar e imobilizar, hoje estão tão serenas que preciso me alongar, esticar, cutucar, abrir portas e cutucar cantos escondidos dentro de mim para achá-las.

Não acredito que preciso sofrer para criar. Mas conseguir acessar a or, a paixão, a agonia, me é essencial. E talvez enquanto os inibidores seletivos de recaptação de serotonina fazem seu trabalho de boínha para eu não me afogar, eu vou ter que trabalhar os músculos me permitem voar.

1 comentário Adicione o seu

  1. Luiza Burleigh Young Silva disse:

    Querida. ❤️

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