Pênis, empatia e lactose

Uma das coisas muito legais da maternidade é que conforme minha azeitoninha foi crescendo, eu fui me abrindo para tudo que ela poderia ser. E ela poderia ser muita coisa. Um mundo inteiro de possibilidades. A primeira coisa que eu descobri, sem querer, é que seria uma azeitoninha com pênis.

Confesso que fiquei receosa sobre o que aquilo significaria para mim, como seria criar um menino. Mas, na prática, o que realmente me preocupou foi: como é que se limpa um pênis?

Eu não tenho um pênis, nunca fui responsável pelo cuidado de um. Minha experiência com falos sempre foi puramente recreativa. Todos a quem eu comuniquei essa preocupação me acalmaram: “É fácil”! E agora que o Oli está aqui, realmente não parece nada demais. Estou aprendendo no caminho. E. se o bicho pegar, o pai que lute.

Genitálias a parte, ainda tem muita coisa que uma pessoa pode ser e se tornar. E pensar em tudo que meu filho poderia ser me tornou uma pessoa muito mais empática nesses 10 meses. Cada corpo me fez tentar me transportar para o seu lugar. Cada atitude me fez buscar suas motivações. A cada dia eu me via aberta a uma nova possibilidade para Oli.

Mas não era apenas o desafio de cuidar de um pênis que a maternidade me guardava…

Alguns dias depois de cruzar para o lado de cada do útero, Oli começou a dormir muito mal, chorar bastante e demonstrar que estava com dor. Depois de muitas mensagens para o pediatra e uma consulta antecipada, o médico apresentou uma hipótese: talvez ele esteja com desconfortos intestinais causados pela ingestão de leite de vaca pela mãe.

O chão cedeu. A tela ficou azul. O som da voz do Dr. Rogério ficou distante. Eu já sabia o que ele diria a seguir: eu teria que cortar leites e companhia da minha dieta para descobrir se era isso mesmo. E é isso que estamos fazendo aqui…

Sem leite, sem queijo, sem manteiga, sem pão na chapa, sem bolo, sem requeijão – comprei um feito de soja, mas tem cheiro de cu e gosto de pé, melhor ficar no homus e outras pastinhas cremosas.

E, apesar de todo meu drama e saudade da manteiga, sei que é uma situação temporária. Mesmo que esse tempo seja dois anos. Mas essa experiência me apreentou uma possibilidade para o Oli que eu ainda não tinha contemplado e está sendo difícil de lidar: e se essa criança tiver alergia a leite?

1 comentário Adicione o seu

  1. Maria José Passos disse:

    Meu amor a maternidade é túnel de surpresas, mas é maravilhosa e inexplicavel!

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